
Porquê que o afeto é tão essencial ?
Segundo Hecht e Silva (2009), o desenvolvimento das crianças que se encontram institucionalizadas desde muito cedo é alvo de danos significativos, tanto fisicamente como psicologicamente. Hecht e Silva (2009) citam que, estas crianças podem ter sintomas típicos como: « relacionamento superficial, nenhum sentimento verdadeiro- nenhuma capacidade de se interessar pelas pessoas ou de fazer amizades profundas; inacessibilidade, exasperante para os que tentam ajudá-la; nenhuma reação emocional em situações em que isto seria normal- uma estranha falta de preocupação; falsidade e evasivas, frequentemente sem motivo; furtos; falta de concentração na escola» (Bowlby, 1981, p.35).
Crianças Institucionalizadas
Em primeiro lugar, é importante salientar que as crianças que se encontram em situações de risco, são crianças que vivem em situações de abandono, institucionalizadas ou que são vítimas de maus tratos psicológicos, físicos ou sexuais, que não recebem cuidados necessários á idade e para a sua segurança e que são vítimas de comportamentos que afetam o seu desenvolvimento, a sua saúde, formação e equilíbrio emocional (Luís Capucha, citado em Prata, 2013, p.14).
Dessa forma, no que diz respeito ao percurso de vida de uma criança é significativo entender o que levou as crianças ou jovens à institucionalização. Assim, de acordo com Capucha (2005) e Santos (2005), citado em Prata, (2013, p.72), é possível destacar algumas problemáticas, tais como, as condições socioeconómicas, comportamentos desviantes, os maus tratos psicológicos, o abuso emocional e os maus tratos físicos.
Seguindo essa linha de pensamento, outro exemplo derivado da institucionalização é a exclusão social, sendo esta relativa a crianças e jovens que são excluídas por se encontrarem inseridas em famílias provenientes de situações de vulnerabilidade ao risco (Capucha, 2005 citado em Prata, 2013, p.76). Existem alguns grupos que são mais vulneráveis á exclusão social, sendo os grupos de desqualificados, como por exemplo, os idosos ou famílias monoparentais, que demonstram problemas ligados ás competências e oportunidades. Os grupos marginais, como os toxicodependentes e pessoas sem-abrigo, evidenciando problemas que são relacionados com as orientações culturais e relacionais.E por fim, os grupos de handicap específico, ou seja, é composto por pessoas com deficiência e imigrantes, que revelam problemas ligados ás aptidões (Luís Capucha, 2005, citado em Prata, 2013, p.19).



Prata, C. (2013). Crianças Institucionalizadas: Que Expectativas? Que futuro? ( Dissertação de Mestrado). Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal. Disponível em: https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2837/1/TESE_formatada.pdf
Hecht, B., & Silva, R. F. P., (2010). Crianças Institucionalizadas: A construção psíquica a partir da privação do vínculo materno. Faculdade de psicologia, Porto Alegre, RS, Brasil. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0199.pdf