
Criança e Participação


A participação das crianças, coloca-as em interação dentro de um grupo etário que partilha as mesmas atividades e tomam decisões sobre políticas e serviços mediados pelo adulto.
No entanto, as crianças são muito mais do que consumidoras e utilizadoras de serviços, elas são executoras que colaboram de forma ativa e com competência em todos os assuntos que lhe dizem respeito, a diferentes níveis e objetivos. Ter em conta a capacidade das crianças para o exercício da cidadania ativa, tem como objetivo reforçar a sua participação em todos os assuntos da cidade, por exemplo (Aderson, 2010, citado em Araújo e Monteiro, 2019, p.48).
A possibilidade emancipatória de participação das crianças ocorre em quase todos os contextos quotidianos em que esta habita. Compete aos adultos transmitir os seus valores e conhecimentos e as maneiras de ser e pensar, que habilitam a criança a viver num mundo dos adultos, mas na verdade, as crianças não nascem no mundo dos adultos, mas num mundo interjecional, que se integra numa rede social já existente com quem interagem. Nessa medida, as crianças vão contactando com os adultos alargando e adquirindo conhecimentos (Araújo e Monteiro, 2019, p.65). Segundo Corsaro (2002), citado em Araújo e Monteiro (2019, p.66), deve-se facilitar um processo de socialização interpretativa, que permita à criança, através do brincar, reinventar uma cultura em que participe ativamente. Como refere o texto Araújo e Monteiro (2019), «[...] a criança é ao mesmo tempo produto, agente e ator dos processos sociais, processos recíprocos entre socializado e socializante, em que a criança não só participa ativamente, mas é o seu elemento primordial» (Corsaro, 2002, citado em Araújo e Monteiro, 2019, p. 66).
Em suma, tal como é referido no texto de Araújo e Monteiro (2019), [...] «a participação da criança começa, desde cedo, a ser subestimada nos contextos mais privados do ambiente familiar e, posteriormente, nos ambientes públicos, a sua participação formal em projetos não tem levado a uma mudança de ação» (Araújo, 2009, citado em Araújo e Monteiro, 2019, p.66).
Araújo, M., & Monteiro, H. (2019). CRIANÇAS À ESPERA? Um ensaio sobre participação na cidade (pp. 47-66). Porto.
Disponível em: